Língua Portuguesa Texto

As questões desta prova envolvem sempre, de alguma forma, o que se costuma chamar de interpretação de textos. Não se esqueça de que, se a interpretação é do leitor, por outro lado ela é do texto, ou seja: a interpretação depende da compreensão, da correlação das idéias patenteadas no texto segundo seu nexo interno e envolve a busca das referências que o próprio texto faz ao universo extratextual. Para a sua comodidade, muitas vezes se repetirão, no enunciado e/ ou nas alternativas das questões, trechos do texto apresentado acima. Mas não se esqueça de que a compreensão da parte depende da compreensão do todo. Por outras palavras, não considere que um pequeno trecho destacado esteja, do ponto vista lógico, fora de seu contexto. O texto Encontros (excerto), de Vinicius de Moraes, na extensão em que foi acima apresentado – que é a parte, de um texto maior, que se refere à relação de Vinicius com Pedro Nava – será referido, ao longo desta prova, apenas como o texto Encontros. Empregar-se-á preferencialmente a expressão "o enunciador do texto", e não "o autor", para que não se confunda o autor do texto, Vinicius de Moraes, com Pedro Nava, que também foi um escritor, ou um autor – a par de outras razões teórico-metodológicas para tal escolha. Posto isso, leia o enunciado da Questão n° 1

À luz da compreensão do texto Encontros, como um todo, a afirmação CORRETA que se pode fazer acerca do que compõe o primeiro parágrafo é que:

  • A.

    no trecho "Meu amigo Pedro Nava, ou melhor, o Dr. Pedro Nava", ocorre um título profissional como forma de tratamento cerimonioso, ocultando, desde o início, a familiaridade entre o Dr. e o enunciador do texto

  • B.

    afirmando primeiramente que Pedro Nava é seu amigo e que é um grande poeta brasileiro, para só então acrescentar que Pedro Nava é médico, ou melhor, que Pedro Nava "também" é médico, o enunciador do texto revela que, para seu amigo Nava, a condição de médico é secundária em relação às outras duas mencionadas

  • C.

    o enunciador do texto não manifesta um interesse particular em que o Dr. Pedro Nava seja "um olho clínico, como dizem seus colegas", nem pode propriamente corroborar a opinião de que Nava é “um olho clínico” se não for médico

  • D.

    no trecho "(...) e guardo bem a lembrança – a última lembrança ao ser anestesiado – de seu olho clínico posto em tristeza", a expressão "seu olho clínico" está no lugar de seu olhar

  • E.

    "a última lembrança ao ser anestesiado", a qual o enunciador do texto "guarda bem", é a do Dr. Pedro Nava com os olhos rasos d'água, ou em lágrimas